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Realmente não existe um final feliz para V em Cyberpunk 2077?
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Redação Pixelando
27/11/2025
Fonte: GameBlast
Cyberpunk 2077 é conhecido por sua história densa, cheia de reviravoltas, mesmo que tenha uma campanha principal relativamente curta. É ao explorar as missões secundárias que o jogo realmente cresce, revelando seu conteúdo completo, inclusive seus finais. Alguns são menos dramáticos do que outros, mas todos entregam um destino triste para V. E é sobre isso que quero falar hoje.
Cuidado com os spoilers.
O Diabo
O final “O Diabo” acontece quando V decide se entregar à Arasaka e confiar na corporação para tentar salvar sua vida. Nessa rota, V se une a Hanako Arasaka durante os eventos de Nocturne Op55N1, acreditando que a megacorporação tem os recursos necessários para separar sua mente da de Johnny Silverhand e restaurar seu corpo. Depois de apoiar Hanako no conflito interno da família Arasaka, V é levado para a estação orbital Mikoshi, onde a corporação promete uma solução tecnológica para o colapso iminente de seu organismo.
No entanto, a “cura” tem um preço. Após o procedimento, V acorda em uma instalação clínica da Arasaka e descobre que sua situação é muito mais sombria do que o prometido: seu corpo está irreversivelmente deteriorado, e mesmo com a extração completa de Johnny, há danos neurológicos permanentes. Arasaka oferece duas escolhas: permanecer como cobaia do projeto Secure Your Soul, transferindo sua consciência para um constructo digital e abandonando sua existência física para sempre, ou voltar para a Terra sabendo que seu corpo só aguentará mais alguns meses antes de falhar completamente.
As consequências emocionais desse final atingem diretamente as relações de V. Amigos que antes lutariam ao seu lado agora estão distantes, já que ele os deixou de fora da decisão crucial de confiar na empresa. O romance, seja Panam, Judy ou River, também se desfaz, pois as gravações e mensagens deixam claro que todos se sentem traídos ou incapazes de lidar com o destino trágico de V. A sensação de solidão domina essa rota: V salva Arasaka, porém perde sua família encontrada em Night City.
Por fim, a decisão final é profundamente amarga. Se V escolher se tornar um constructo, abrirá mão de sua humanidade para existir eternamente em um servidor da Arasaka, preso em um limbo digital. Se optar por voltar ao corpo, receberá alta e partirá sozinho, carregando a certeza de que seus dias estão contados.
A Estrela
O final “A Estrela” ocorre quando V decide abandonar Night City e aceitar a ajuda do clã Aldecaldo, liderado por Saul e Panam. Após os eventos de Nocturne Op55N1, V escolhe confiar na Família Nômade, que planeja um ataque ousado contra Arasaka para acessar Mikoshi e tentar separar sua mente da de Johnny Silverhand. Com a força conjunta dos Aldecaldos, a rota segue por uma invasão terrestre em larga escala, repleta de riscos, mas carregada de união e esperança, algo raro em Night City.
Ao alcançar Mikoshi e realizar o procedimento, V obtém uma verdade inevitável: seu corpo ainda está condenado. Mesmo com Johnny removido, os danos neurológicos deixados pela Relic são permanentes. No entanto, diferentemente do final “O Diabo”, aqui V não está sozinho. Panam, Mitch, o clã inteiro, todos permanecem ao lado de V. A decisão final não é sobre se sacrificar pela Arasaka, mas continuar lutando ao lado de pessoas que realmente se importam com ele.
As amizades alcançam seu ponto mais forte nesse final. Panam é, de longe, o romance mais impactado: ela não apenas permanece ao lado de V como também demonstra preocupação genuína, deixando claro que não pretende desistir dele. O clã todo o vê como parte da família, reforçando uma sensação de pertencimento que o jogo constrói aos poucos durante as missões dos Aldecaldos. Para muitos jogadores, esse é o desfecho emocionalmente mais acolhedor, pois V parte cercado de apoio, algo raro no universo cruel de Cyberpunk 2077.
No fim, V faz sua escolha: seguir com os Aldecaldos rumo ao deserto, cruzando a fronteira e deixando Night City para trás. Ainda assim, paira a sombra da morte anunciada, seu corpo pode não resistir por muito tempo, porém, diferente de outras rotas, aqui ele tem motivos para continuar, mesmo sabendo que seus dias podem estar contados. “A Estrela” é um final agridoce, no entanto oferece a sensação mais próxima de um “final feliz”: V parte com aqueles que ama, livre da cidade que o destruiu, com a esperança de que, talvez, exista um futuro além do que o destino escreveu.
O Sol
O final “O Sol” acontece quando V decide encarar tudo sozinho com a ajuda dos Afterlife — uma rota que reflete a ambição máxima de Night City. Nessa escolha, V aceita a proposta de Rogue para invadir a Arasaka Tower e alcançar Mikoshi, contando com o apoio de um dos nomes mais lendários do submundo. A operação, ousada e perigosa, é uma mistura de nostalgia para Johnny e de redenção para Rogue, marcando o clímax da parceria improvável entre V e o enigmático constructo digital.
Após o ataque e o confronto final, V finalmente tem a chance de acessar Mikoshi. É ali que o destino se bifurca: Johnny é removido, contudo V descobre que seu corpo continua condenado, com danos irreversíveis causados pela Relic. Ainda assim, ao contrário de outras rotas, “O Sol” exalta a glória efêmera de Night City. A consequência imediata da vitória é simples e brutal: V ganhou fama, mas não tempo. Mesmo assim, ele segue em frente, encarando a cidade como alguém que conquistou seu próprio lugar no Afterlife.
As relações pessoais, no entanto, sofrem com essa escolha. Amizades e romances ficam para trás, não por ressentimento, e sim porque V está tão comprometido com seu destino de lenda que não sobra espaço para vínculos profundos. Judy vai embora, Panam se distancia, e os amigos de V entendem que ele escolheu a cidade em vez deles. É uma vida de glória, porém solitária, onde a adrenalina substitui o afeto. A rota “O Sol” deixa claro que a busca por fama em Night City cobra o preço mais alto: o de sacrificar qualquer possibilidade de estabilidade emocional.
Ao final, V ascende como uma nova figura lendária, assumindo o posto que foi de Rogue: uma mercenária temida, respeitada e comentada nos becos, bares e zonas proibidas da cidade. Em uma cena final marcante, V se prepara para um novo golpe, um assalto espacial ambicioso, determinado a continuar vivendo no limite enquanto ainda pode. Embora seu destino seja incerto e seus dias possam estar contados, “O Sol” representa a essência do sonho cyberpunk: morrer jovem, deixar um legado eterno e queimar com intensidade até o último segundo.
Temperança
O final “Temperança” ocorre quando, ao chegar a Mikoshi, V decide abrir mão de seu próprio corpo e deixá-lo para Johnny Silverhand. Em vez de lutar por sua sobrevivência, V escolhe permitir que Johnny assuma o controle definitivo, acreditando que essa talvez seja a única forma de evitar sua morte imediata e, ao mesmo tempo, oferecer a Johnny uma segunda chance de viver no mundo real. É uma decisão extrema, carregada de simbolismo, que transforma completamente o desfecho da jornada.
Após o procedimento, Johnny desperta no corpo de V e deve lidar com o peso da escolha. Ele busca reconstruir sua vida, tentando fazer algo significativo com o tempo que ganhou à custa do próprio V. Johnny visita antigos amigos, compra uma guitarra nova e até procura viver de maneira mais tranquila, longe da guerra constante que marcou sua história anterior. No entanto, o fantasma de V, agora apenas uma presença fragmentada na memória, assombra esse novo começo, deixando claro que nada sobre essa vitória é simples ou alegre.
As relações de V sofrem um impacto devastador. Ninguém sabe exatamente o que aconteceu, mas todos percebem que “algo” mudou. Romances se encerram de maneira brusca; Panam não atende às ligações, Judy deixa Night City, e os laços que V construiu desaparecem porque Johnny, por mais que tente, não consegue manter as mesmas conexões. Até mesmo pessoas próximas, como Viktor e Misty, sentem a ausência de V com uma mistura de tristeza e resignação. A solidão marca esse final, porém é um vazio diferente: não é mais V quem a sente, e sim Johnny, ocupando um espaço que nunca foi totalmente seu.
No fim, Johnny decide ir embora de Night City. Ele pega um ônibus rumo ao desconhecido, tentando encontrar algum propósito para a nova vida que recebeu. A Temperança é um final amargo e introspectivo, refletindo sobre identidade, sacrifício e redenção. V desaparece completamente, Johnny retorna ao mundo dos vivos, e ambos pagam o preço: um perde a existência; o outro ganha uma vida que não entende como viver. É o final mais melancólico de todos, não pela morte, e sim pela troca irreversível de quem deveria continuar vivendo.
Desistir de tudo
Esse final acontece quando V, tomado pela exaustão física e emocional, decide que não há mais caminhos a seguir. A pressão da Relic, o desgaste das escolhas e o peso das perdas acumuladas o levam a uma conclusão amarga: não quer mais continuar lutando. No telhado, V encara a cidade que o moldou e o destruiu. Com Johnny ao seu lado, sem promessas de cura, sem planos mirabolantes e sem esperança real de sobrevivência, ele escolhe encerrar sua história ali mesmo, de maneira silenciosa, longe das mentiras e dos falsos futuros que Night City costuma oferecer.
As consequências desse final são profundamente dolorosas. Johnny fica em choque, lamentando o desfecho e tentando compreender a decisão de V, enquanto amigos e romances nunca recebem uma explicação. Esse é o único final onde V não luta, não foge e não tenta enganar o destino, ele simplesmente o aceita. É um encerramento brutal, cru e humano, que mostra o lado mais sombrio de Night City: uma cidade que consome tudo, até a vontade de viver. Não há redenção, nem consolo, apenas o silêncio final de alguém que não encontrou espaço para existir no mundo que tanto tentou dominar.
Amargo
Não retratei todos os finais aqui, mas, de forma geral, todos os destinos de V carregam a mesma verdade amarga: em Night City, ninguém sai ileso. Cada desfecho, seja fugindo com os Aldecaldos, tornando-se uma lenda solitária, entregando o corpo a Johnny, confiando na Arasaka ou desistindo de tudo, mostra que a cidade cobra um preço devastador por cada sonho e escolha. Não existe vitória total, nem futuro realmente seguro.
As perdas são inevitáveis, os sacrifícios são profundos e, no fim, V sempre paga com algo essencial: o corpo, a identidade, os relacionamentos ou a própria vida. Essa amargura que permeia todos os finais não é acidental; é o reflexo perfeito de uma cidade crua, fria e indiferente, onde até os mais brilhantes acabam desaparecendo cedo demais.