Atenção, Investidor Tech: O Boom do Crédito Privado e os Riscos Que Você Precisa Conhecer!

Crédito Privado Bate Recorde no Brasil: Oportunidade ou Armadilha para o Investidor Inteligente? A Selic em alta 'asfixia' o crédito tradicional, e o mercado de capitais brasileiro está fervilhando com um novo fenômeno: a busca frenética por títulos de crédito privado. Empresas, buscando fôlego financeiro fora dos bancos, e investidores, seduzidos por rendimentos atraentes e isenção de IR, estão impulsionando um boom que, segundo especialistas, acende um sinal amarelo. Se você é do tipo que curte desvendar os meandros do mundo tech e gamer, vai entender a importância de desvendar essa nova fronteira financeira!
Por Que o Crédito Privado Virou Febre?
A "culpa" é da Selic, que paira em níveis historicamente altos, tornando o crédito bancário um pesadelo caro e inacessível. Some a isso a guinada do BNDES, que desde 2017 reduziu empréstimos subsidiados, focando em projetos mais seletivos (sustentabilidade, inovação). O presidente da ABAI, Diego Ramiro, explica: "O BNDES reduziu o volume de empréstimos subsidiados [...] Muitas empresas passaram a buscar novas formas de captação de recursos no mercado." Isso abriu espaço para que as empresas emitissem títulos como debêntures, CRIs e CRAs, captando diretamente dos investidores. E o volume é impressionante: R$ 381,4 bilhões em crédito privado até setembro de 2025, representando 72% do total de R$ 528,4 bilhões emitidos, segundo a Anbima. Um recorde que mostra a força dessa tendência.
Desvendando os Títulos:
CRIs, CRAs e Debêntures Na prática, você, investidor, compra uma "dívida" da empresa. Em troca, recebe juros e o principal de volta. Os mais comuns são: * Debêntures: Títulos de dívida de empresas para financiar projetos. Podem ser "incentivadas" (foco em infraestrutura, isentas de IR para PF) ou "não incentivadas" (tributação regressiva de IR). * Certificados de Recebíveis (CRIs e CRAs): Lastreados em créditos imobiliários (CRIs) ou do agronegócio (CRAs). Também são isentos de IR para pessoa física. A busca por isenções fiscais é um chamariz e tanto, e foi intensificada com as discussões em torno da MP 1.303/2025, que, embora tenha perdido a validade, mexeu com o mercado.
Onde Mora o Perigo?
O "Game Over" Financeiro Apesar da renda fixa parecer um porto seguro, o crédito privado tem seus chefões finais: * Risco de Crédito: Andressa Bergamo, da AVG Capital, é direta: "Ao contrário dos títulos públicos, garantidos pelo Tesouro Nacional, os papéis de crédito privado estão sujeitos à capacidade financeira da empresa ou à qualidade dos ativos que servem de garantia para a operação." Em português claro: se a empresa quebrar, você pode perder tudo. * Sem FGC: Diferente de LCIs, LCAs e CDBs, o crédito privado tem a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que protege até R$ 250 mil por CPF. Jeff Patzlaff, planejador financeiro, alerta: "Se a empresa quebrar, você pode perder todo o dinheiro investido. Por isso, é essencial observar as garantias, a classificação de risco (rating) do título, o histórico e o setor da empresa, avaliando se o negócio é sólido e estável." * Muitos desses títulos não têm negociação diária no mercado secundário. Isso significa que você pode ter que segurar o investimento até o vencimento (que pode ser de 2 a mais de 10 anos!) ou, se precisar vender antes, aceitar um valor menor. Diego Ramiro, da ABAI, complementa: "É importante que o investidor alinhe suas expectativas de prazo, pois a possibilidade de negociação no mercado secundário varia conforme o risco da empresa emissora e o cenário de juros do momento." * A alta demanda está reduzindo os spreads, ou seja, a "gorjeta" extra que o investidor recebia por correr mais risco. Marília Fontes, da Nord Investimentos, vê um cenário preocupante: "Se a política econômica não mudar e os juros seguirem altos por mais tempo, poderemos ver um evento mais sério de crédito, com potencial de contaminar toda a cadeia." Ela cita casos como Americanas, Light, Ambipar e Braskem, onde investidores sofreram perdas de até 93% em produtos como COEs atrelados a essas empresas.